sábado, 2 de abril de 2016

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

No dia 18 de dezembro de 2007 a ONU (Organização das Nações Unidas) declarava o dia 2 de Abril o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Desde 2008, no dia 2 de Abril, pais, profissionais e associações de autismo ao redor de todo o planeta, buscam mostrar a sociedade o que é o Autismo, fazendo caminhadas, promovendo eventos, encontros, cursos, assim como iluminando de azul (a cor escolhida para representar o autismo) lugares emblemáticos das cidades.

O Autismo é um transtorno, que faz parte dos TEAs (Transtornos do Espectro do Autismo). É um transtorno de origem neurológica, que afeta o cérebro, e por isso implica em um transtorno global do desenvolvimento, onde os diversos aspectos do desenvolvimento esperado normalmente podem ser afetados, tais como atraso na fala (ou a sua ausência), por exemplo. Caracteriza-se fundamentalmente por dificuldade na comunicação (seja verbal, não verbal ou gestual), interação social, e uma notável rigidez de pensamento e comportamentos e pensamentos repetitivos, daí ser a quebra de rotinas uma das maiores dificuldades para a pessoa com autismo. A combinação dessas características evidencia um dos maiores problemas para a pessoa com autismo, entender o que se espera dela, o que esperar do outro, e principalmente com que intenção. Colocar-se no lugar do outro, perceber se o outro está triste ou alegre. Essas características variam em grau, indo do leve ao severo passando pelo moderado.
 O autismo afeta por igual independente do gênero (proporcionalmente quatro vezes mais pessoas do sexo masculino que feminino), etnia ou classe social. É um transtorno por toda a vida, ou seja, infelizmente ainda não temos a cura para o autismo.
A ONU não apenas instituiu simbolicamente o dia Mundial da Conscientização do Autismo, a organização também pede que os países que são signatários da Convenção das Pessoas com Deficiência (o Brasil é signatário), garantam a dignidade e a qualidade de vida das pessoas com autismo. Nesse aspecto o Brasil ainda tem muito que fazer. Ou seja, não basta iluminar de azul ( aliás, o autismo é um espectro, portanto deveria ser representado por todas as cores!). Não basta os programas de televisão focarem apenas na “criança com autismo”. Nossos filhos e filhas exigem respeito! 
Desde 1993 quando meu filho foi diagnosticado com Autismo, até os dias de hoje, quando em junho ele completará 27 anos de idade, nunca parei de buscar o que pudesse melhor ajudar no seu desenvolvimento. Também tenho acompanhado a luta de pais ao longo desses 27 anos, em que o país pouco se preparou para ajudar as pessoas com autismo.  As iniciativas são sempre de pais, cansados e indignados com a falta de serviços especializados na rede pública de educação e saúde. Pais que se juntam, formam grupos e associações, como é o caso da TEIAA, grupo de pais com filhos com autismo, aqui de Teresópolis, Rio de Janeiro, cuja presidente é a minha xará Valéria V. de Faria Barros.
Em 2012 foi aprovada a Lei do Autismo (também conhecida como Lei Berenice Piana em homenagem a mãe que lutou pela sua aprovação) pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidência da república, onde se lê em seu primeiro artigo: “Art. 1o  Esta Lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabelece diretrizes para sua consecução”. 
O município de Teresópolis, graças ao esforço da presidente da TEIAA, Valéria Barros, também aprovou a Lei de Política e Proteção da Pessoa com Autismo.
 Temos as leis, temos pais engajados e profissionais interessados, falta o poder público fazer a sua parte, implantar as políticas e dar dignidade e qualidade de vida ao cidadão com autismo. O que mais me deixa chateada e inconformada é que são serviços fáceis para o poder público instituir. Treinar professores, educadores e profissionais da saúde para atender pessoas com autismo não é complicado. O que falta é interesse e boa vontade. 
Incluir não é apenas colocar a criança com autismo em uma sala de aula, mas oferecer serviço de qualidade a todas as crianças, de acordo com as necessidades específicas de cada uma. É ter médicos capacitados nos postos de saúde que saibam fazer um diagnóstico, é oferecer terapias, tratamento ambulatorial, é proporcionar treinamento profissionalizante a adolescentes e adultos com autismo, e amparar ao idoso ou órfão com autismo.
Eu sei que muito falta, mas pela primeira vez em Teresópolis, vejo um grupo coeso e firme no propósito de lutar pelo autismo. Que no dia 2 de abril as vozes de pais, amigos e pessoas com autismo de Teresópolis sejam ouvidas!

Valéria Llacer (M Ed, Educação Especial e Autismo; especialista TEACCH pela Universidade da Carolina do Norte, EUA, psicopedagoga)

Fontes:
Lei 12. 764/ 2012 – Lei do autismo – Berenice Piana
Meu blog e Facebook - Autividade:
Grupo TEIAA:
Lei de Política e Proteção da Pessoa com Autismo – Teresópolis (15/09/2015)



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